Ferramentas da Harvey ajudaram a redigir a petição defeituosa; o alerta recai sobre o escritório, não sobre o fornecedor
Juiz federal de Manhattan decidiu não sancionar os advogados responsáveis por uma petição elaborada com auxílio da Harvey, mas advertiu que a dependência de IA atrofia a formação de advogados juniores e prejudica os clientes. A Regra 11 deixa o erro com o escritório; a rodada de US$ 15,5 bilhões deixa o ganho com o fornecedor.
Vincent Jiang · 3 min read
O juiz Arun Subramanian decidiu não sancionar a Shapiro Arato Bach por erros de citação em uma petição de direitos autorais preparada com ferramentas de IA da Harvey. Aproveitou o alerta de 2 de outubro para dizer à advocacia o que a confiança cega na tecnologia faz com os clientes e com os advogados juniores que nunca aprendem o ofício 12. No caso Hill v. Foundation Media, ele perguntou, em 22 de setembro, se a IA tinha produzido trechos citados e uma referência que ninguém conferiu. Cynthia Arato pediu desculpas e classificou o episódio como deslize isolado de um só advogado, em desacordo com a política do escritório 3. Seu cliente já havia obtido sentença favorável 3.
A responsabilidade para no escritório
Por lei, verificar é trabalho do escritório: a Regra 11 põe cada petição nas costas dos advogados que a assinam, e tribunais federais do Texas e da Califórnia já ordenam que as partes confiram o conteúdo gerado por IA 1. A Harvey não quis comentar 3.
O alerta não chega às contas do fornecedor. Em 9 de setembro, três semanas antes de o juiz falar, a Harvey fechou uma rodada de US$ 550 milhões, com avaliação de US$ 15,5 bilhões — número divulgado pela própria empresa 47. A receita recorrente anual ultrapassou US$ 400 milhões, cerca de 39 vezes as vendas 5. A cobertura inicial da rodada apontou números ainda mais altos: uma reportagem falou em US$ 15,6 bilhões de avaliação 5, e o Boston Globe, em quase US$ 16 bilhões 4. Segundo a Harvey, 80% dos 100 escritórios com maior faturamento dos EUA já usam seu software 4.
A Harvey comprou as salvaguardas primeiro
No mesmo dia, a Harvey adquiriu a Guardrails AI, seu quarto negócio de 2026. Os cofundadores Shreya Rajpal e Zayd Simjee entraram na área de produto e engenharia da empresa para simular agentes e submetê-los a testes de estresse antes de chegarem ao trabalho dos clientes 67. O know-how dos dois fica “na base de todo agente que lançamos”, disse o diretor-executivo Winston Weinberg 7. Até a papelada ficou com o Big Law: a Venable aconselhou a Guardrails na venda 6. Os tribunais exigem verificação — e o fornecedor comprou o time que a desenvolve.
A ala da substituição está contratando
A Pierson Ferdinand, escritório só de sócios — “sem associados e sem treinamento de juniores, por escolha” —, chegou a 300 sócios em 30 de setembro, antes de completar três anos, e diz que a IA substitui em grande parte as tarefas antes feitas pelos advogados juniores 8. Dos 46 advogados do Am Law 200 que migraram para empresas de IA no primeiro semestre de 2026, a Harvey contratou 22, e 40 dos 46 eram associados 9.
A Harvey contratou 22 dos 46 advogados do Am Law 200 que migraram para fornecedores de IA
Data
| Value | |
|---|---|
| Harvey | 22 |
| Anthropic | 8 |
| OpenAI | 5 |
| Legora | 5 |
| Outras empresas de IA | 6 |
O que quebra primeiro
Numa pesquisa de 2026 da North Carolina Bar Association, 43% dos entrevistados disseram que seus escritórios não têm política formal de IA nem plano de criar uma, e outros 54% afirmaram que seus escritórios não oferecem treinamento em IA 1. Se as ordens permanentes se espalharem, a verificação passa a ser requisito de produto — e a compra da Guardrails AI vai parecer barata. Uma avaliação de 39 vezes a receita pressupõe que a adoção corra mais rápido que as regras 5. O fundo de pensões Teachers já aportou US$ 50 milhões desde então 10. Fique de olho na primeira ordem permanente que nomear o fornecedor.
Deepdive
AI-generated from this story and its cited sources. Not investment advice.



