PG&E protocola uma década de cabos enterrados no dia em que Sacramento vota para cortar o lucro de enterrar cabos
A PG&E protocolou um plano de dez anos para enterrar 5.000 milhas de cabos e alega US$ 117 bilhões em benefícios — mais de 10 vezes um valor de investimento que nunca revela. Na véspera, Sacramento sancionou uma lei que mira o lucro justamente sobre essa obra — e, no dia do protocolo, três câmaras subterrâneas explodiram em São Francisco.
Vincent Jiang · 2 min read
O timing é quase cômico. Em 1º de outubro, a PG&E protocolou junto ao estado o Plano Decenal de Subterraneização Elétrica: cerca de 5.000 milhas de linhas de distribuição enterradas entre 2028 e 2037, em mais de 30 condados, com promessa de reduzir em 98% o risco de ignição e em 90% as interrupções nas linhas transferidas 1. Na mesma tarde, três câmaras subterrâneas da companhia — que já estavam enterradas — explodiram no distrito financeiro de São Francisco, lançaram chamas ao alto, fecharam seis quarteirões e provocaram uma ordem de confinamento de cinco horas (shelter-in-place) 5.
A conta sem número
O comunicado fala em US$ 117 bilhões de benefícios de longo prazo, "mais de 10 vezes o valor do investimento proposto" 1. O investimento, nunca é declarado. Faça a aritmética com o que os registros de fato trazem: os gastos de capital trimestrais da PG&E subiram de US$ 2,6 bilhões no terceiro trimestre de 2024 para cerca de US$ 3 bilhões por trimestre, e a companhia ainda planeja algo como US$ 11,4 bilhões de capex na Califórnia em 2027, mesmo depois de adiar US$ 2 bilhões desse montante para reduzir custos de captação 37. Uma década de subterraneização nesse ritmo é uma pergunta de custo por milha — que o comunicado responde com adjetivos. Mesmo a US$ 3 milhões por milha, 5.000 milhas beiram os US$ 15 bilhões; o enquadramento de "10 vezes" do plano sugere um denominador bem maior, e nenhuma fonte o revela.
O ritmo de capex da PG&E já subiu para cerca de US$ 3 bilhões por trimestre
Data
| Gastos de capital | |
|---|---|
| 3T24 | $2.61B |
| 4T24 | $2.83B |
| 1T25 | $2.64B |
| 2T25 | $3.07B |
| 3T25 | $2.93B |
| 4T25 | $3.16B |
| 1T26 | $3.36B |
| 2T26 | $2.97B |
Sacramento acaba de cortar a remuneração
Na véspera do protocolo, o governador Newsom sancionou a lei SB 905 nas últimas horas da sessão legislativa. A norma determina que a CPUC considere reduzir a remuneração das concessionárias em investimentos de menor risco, "como a subterraneização de linhas de energia" — segmento em que as empresas costumam auferir 9% ou 10% em novos projetos de transmissão 2. A PG&E se opôs ao projeto, alertando que a medida desestimularia investimentos 2. Sua revisão estratégica de 2 de setembro, que reavalia as projeções de capex e de base tarifária para 2028-2030, já parece a de uma empresa que se prepara para exatamente isso 3.
Quem vigia as contas
A matemática para os acionistas é simples: a PG&E precisa de uma remuneração na casa de um dígito alto sobre uma década de cabos enterrados para reconquistar o grau de investimento — e o Legislativo acaba de escolher essa classe de ativos para levar um corte. A ação fechou a US$ 12,17, com queda de 24% no acumulado do ano, contra um preço-alvo médio dos analistas de US$ 19,22, após o UBS cortar o seu para US$ 14 em 23 de setembro 6. O diretor John Larsen comprou 7.500 ações a US$ 12,20 em 30 de setembro, dois dias antes do protocolo — um voto de confiança de US$ 92 mil 4. Os consumidores recebem uma conta diferente — e sem denominador nenhum. A Energy Safety analisa o plano em seguida; a CPUC decide sobre os custos; os resultados do terceiro trimestre chegam em 22 de outubro 3.
A ação negocia 37% abaixo do alvo médio dos analistas
Data
| Value | |
|---|---|
| Fechamento, 1º out | $12.17 |
| Alvo do UBS, 23 set | $14 |
| Alvo médio dos analistas | $19.22 |
Nenhuma fonte informa quanto custará o plano de 5 mil milhas; esse número — e a resposta sobre se os US$ 117 bilhões sobrevivem ao regime da lei SB 905 — é o que 22 de outubro e o processo regulatório terão de mostrar.
Deepdive
AI-generated from this story and its cited sources. Not investment advice.



