Pela primeira vez em 25 anos, Qualcomm paga à Huawei — e a conta real sobra para a ASML
Depois de 25 anos pagando à Qualcomm, a Huawei agora é quem cobra: o licenciamento cruzado de 5 de outubro faz da Qualcomm a pagadora líquida e inclui o LogicFolding, o método de fabricação de chips que a chinesa construiu para avançar sem as máquinas de ultravioleta extremo (EUV) da ASML. A exposição recai sobre o negócio chinês da ASML, reduzido a 14% das vendas de sistemas.
Vincent Jiang · 3 min read
Em 5 de outubro de 2026, o fluxo de uma relação de licenciamento de 25 anos se inverteu 12. Sob um licenciamento cruzado plurianual que abrange dispositivos 5G, serviços de IA e óptica copacoteada (co-packaged optics), a Qualcomm tornou-se, pela primeira vez, pagadora líquida da Huawei, com direitos sobre mais de 680 patentes da chinesa 12. Desde 2001, quem assinava os cheques era a Huawei — incluindo US$ 1,8 bilhão em royalties retroativos para encerrar a última disputa, em 2020 2.
Um piso acima de US$ 133,9 milhões
Nenhuma das partes revelou o valor 12. O acordo, ainda assim, ultrapassa o limite de US$ 133,9 milhões previsto na lei Hart-Scott-Rodino e aguarda análise da FTC — o que estabelece um piso para o que San Diego paga agora à empresa de quem cobrou por duas décadas 12. A Huawei espera que toda a sua carteira de licenciamento ultrapasse US$ 6,9 bilhões com o fechamento deste acordo, apoiada em mais de 260 contratos com Samsung, Nokia, Amazon e HP 2.
A licença é a máquina que a Huawei não pôde comprar
Os direitos incluem o LogicFolding, a arquitetura que a Huawei apresentou há alguns meses para elevar o desempenho e encurtar a distância para a TSMC movendo dados mais rapidamente — já que a China não pode comprar os scanners de EUV da ASML 1. Ela já vem nos processadores Kirin 9050 e 9050 Pro do Mate XT 2, e a Huawei afirma que os transistores são cerca de 55% mais densos 26. Sete anos de restrições comerciais americanas 2 produziram um substituto funcional para as máquinas que os controles mantêm do lado de fora — e um gigante americano de chips agora paga royalties por ele 1.
343 scanners, já pagos
Esse atalho convive com um estoque que o The Inference contabilizou em 4 de outubro 9. Um relatório do Center for Technology and Statecraft, divulgado no fim de setembro, registra 343 sistemas de DUV por imersão em fábricas de propriedade chinesa até o início de 2026, cerca de 270 deles scanners ASML NXT:1980i que o multipatterning pode levar a chips da classe de 7 nm 43. Compradores chineses desembolsaram mais de US$ 13 bilhões em cerca de 90 sistemas em 2024 e 89 em 2025, o equivalente a cerca de 70% de toda a produção de ferramentas de imersão da ASML nesses dois anos 43. Desde então, a fatia da China nas vendas de máquinas da ASML só fez cair 47.
Fatia da China nas vendas de sistemas da ASML despenca de 41% para 14%
Data
| Participação da China nas vendas líquidas de sistemas da ASML | |
|---|---|
| 2024 | 41% |
| 2025 | 33% |
| 1º tri de 2026 | 19% |
| 2º tri de 2026 | 14% |
Os outros 86% vão bem, obrigado
O aperto sobre a ASML ganha contorno legislativo. A lei MATCH, aprovada por 44 votos a 0 pela Comissão de Relações Exteriores da Câmara americana em abril, obrigaria a ASML a obter licença para dar manutenção aos equipamentos que já instalou na China 5. O Bank of America estima o custo de um corte total em 14% a 15% da receita e em 16% a 17% do lucro operacional 5. Nenhuma apreciação em comissão havia sido agendada no Senado até 9 de setembro 5.
As compensações são vultosas. A ASML elevou em 15 de julho a projeção de 2026 para € 43 bilhões a € 45 bilhões e segue apontando a China como cerca de 20% das vendas do ano 7. A gestão da base instalada rendeu € 2,76 bilhões só no segundo trimestre, e o diretor financeiro Roger Dassen diz que o encolhimento da fatia chinesa acompanha as licenças holandesas de exportação, e não a demanda 5. A Intel acabou de iniciar a produção em equipamentos de EUV de alta abertura numérica (High NA), que custam mais de € 350 milhões cada 7.
O que decide a questão
A questão da ASML se resolve em duas leituras: a agenda da Comissão de Bancado do Senado para o projeto irmão da lei MATCH e a linha da China no próximo balanço trimestral da companhia 5. Qualquer desfecho do voto em Washington impõe um teto à carteira chinesa. Aprovada a proibição de manutenção, a receita recorrente sobre os 343 equipamentos instalados caminha rumo ao zero 45. Bloqueada, o atalho que contorna o EUV — validado pelos EUA e operando ao lado de 270 scanners capazes de produzir chips de 7 nanômetros — mostra que os pedidos chineses de classe EUV nunca precisaram ser feitos 14. Se esses pedidos voltarão um dia é pergunta que nenhum documento responde. De um jeito ou de outro, a carteira de pedidos foi gasta com antecedência.
Deepdive
AI-generated from this story and its cited sources. Not investment advice.



