Agências elevam rating da dívida da Bending Spoons para BB-, mas o número que põe à prova seu valor de US$ 28 bilhões segue oculto

A S&P passou o roll-up milanês para BB- e a Moody's para Ba3 em 23 de setembro, e os credores ampliaram para US$ 1,25 bilhão o adendo ao empréstimo lançado nesta semana para financiar a Miro. A retenção líquida de receita (net revenue retention), abaixo de 100% em todos os períodos em que foi divulgada, não é publicada desde a IPO de julho.

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Vincent JiangVincent Jiang · 2 min read
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Skyline do bairro empresarial da Porta Nuova, em Milão, com a Torre UniCredit e o Bosco Verticale erguendo-se sobre os telhados da cidade.
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O distrito financeiro da Porta Nuova, em Milão, sede da Bending Spoons — o roll-up de software cuja dívida a S&P e a Moody's elevaram nesta semana.

Duas elevações, com os comprovantes em anexo

A S&P elevou a Bending Spoons de B+ para BB- em 23 de setembro, com perspectiva estável, e levou ao mesmo patamar os ratings de emissão de seus term loans B 1. A Moody's mudou a nota de B1 para Ba3 no mesmo dia, também com perspectiva estável 23.

O que as agências citaram foram os comprovantes da máquina. A S&P contabilizou que mais de 90% das economias de custos previstas já se concretizaram na Vimeo, e de 60% a 75% na AOL, na Eventbrite e na Trative — rumo a cerca de US$ 4 bilhões de receita pro forma em 2026, com margem de EBITDA ajustada próxima de 40% 1.

O mercado de crédito tomou mais do que lhe foi ofertado

Em 25 de setembro, a empresa precificou um adendo de US$ 1,25 bilhão ao seu term loan em dólares com vencimento em 2031 e um adendo em euros de € 395 milhões, acima das metas de US$ 750 milhões e de € 250 milhões equivalentes 2. No conjunto, os dois somam cerca de US$ 1,7 bilhão equivalente — bem mais do que os cerca de US$ 1 bilhão equivalentes buscados —, e os credores tomaram tudo dois dias depois das elevações 24.

Os recursos financiam a Miro, acertada por um valor de empresa (enterprise value) de US$ 1,355 bilhão — cerca de 90% abaixo dos US$ 17,5 bilhões que investidores lhe atribuíam em janeiro de 2022 —, com data-limite de 10 de setembro de 2027 para o fechamento 5. A dívida bruta somava US$ 4,88 bilhões em 30 de junho; a S&P projeta cerca de US$ 5,7 bilhões no fim do ano, com alavancagem ajustada perto de 4x 16.

O que as agências recebem — e o acionista, não

O dossiê de crédito hoje guarda números que o dossiê do acionista perdeu. A retenção líquida de receita ficou em 93% em 2023, 91% em 2024, 95% em 2025 e 94% no primeiro trimestre; a divulgação parou depois da IPO de julho, não houve número para o segundo trimestre, e o CEO Luca Ferrari se limitou a dizer que está "hoje na parte alta da casa dos 90" 7.

Abaixo de 100%, a base de assinantes paga menos a cada ano. As ações valem cerca de US$ 28 bilhões, quase 14 vezes a receita dos últimos doze meses 7.

Retenção abaixo de 100% em todos os períodos divulgados — depois, a divulgação parou

90951002023202420251º tri de 20262º tri de 2026100%: a receita dos assinantes se mantém estável94
Data
Retenção líquida de receita
202393
202491
202595
1º tri de 202694
2º tri de 2026—
Retenção líquida de receita divulgada pela companhia, conforme a definição do próprio prospecto da Bending Spoons; não houve número para o 2º trimestre de 2026. Fonte: WSJ via MSN, 11 de setembro de 2026.7

Os cortes que pagam os credores

As economias que a S&P premia vêm da reestruturação — e reestruturação significa indenizações de demissão: só o segundo trimestre já adicionou de volta US$ 51 milhões em despesas de reestruturação, sobretudo pagamentos a funcionários demitidos depois da compra de suas empresas 7. Os 3% de crescimento orgânico que a agência cita incluem negócios comprados há menos de um ano, de modo que aumentos de preço após a aquisição caem na linha orgânica 7. O Evernote é o padrão em miniatura: alta de 30% na receita de 2022 a 2025 e queda de 48% na base de usuários 7.

O contraponto do crédito tem peso: assinaturas respondem por cerca de 80% da receita, nenhuma linha de negócios passa de 20%, e a S&P espera cobertura de juros acima de 3 vezes até 2027 1.

O terceiro trimestre devolve o número — ou confirma o silêncio

O balanço do terceiro trimestre é o próximo teste do calendário: ou a retenção volta à página de divulgações, ou a lacuna vira a notícia. A Miro tem até 10 de setembro de 2027 para fechar 5. Credores recebem comprovantes; acionistas, silêncio.

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