US$ 15 bilhões por uma ferramenta gratuita: OpenEvidence aposta o alcance de seus médicos em hospitais e ensaios contra o câncer
A OpenEvidence confirmou US$ 250 milhões a uma avaliação de US$ 15 bilhões, um quarto abaixo dos US$ 20 bilhões que, segundo se noticiou, chegou a oferecer ao mercado — enquanto três redes de saúde ativaram a ferramenta gratuita e o primeiro candidato oncológico da empresa entra em ensaios clínicos antes do fim do ano. Médicos seguem sem pagar nada; a avaliação se apoia na forma como o tráfego deles poderá ser vendido.
Vincent Jiang · 3 min read
Três redes de saúde em quatro semanas
A AdventHealth, rede sem fins lucrativos com mais de 110 mil colaboradores, ativou a OpenEvidence para médicos, enfermeiros, farmacêuticos e terapeutas em mais de 2 mil unidades de atendimento em 1º de outubro, com a ferramenta integrada ao prontuário eletrônico 1. A Penn Medicine levou a mesma ferramenta a mais de 10 mil clínicos em sete hospitais no fim de setembro 2. O Memorial Sloan Kettering, nomeado em meados do mês depois que um teaser de 3 de setembro falava em um 'centro oncológico de referência nacional', carregou sua base OncoKB de oncologia de precisão na plataforma e embutiu a OpenEvidence em seu próprio sistema Epic 3.
Nenhum dos três anúncios divulgou termos. A ferramenta segue gratuita para clínicos verificados nos EUA 1; 60% dos médicos em atividade a usam, pela contagem da própria empresa 4, e mais de dois terços dos médicos americanos, pela apuração da CNBC 5. O que as implantações compram, a julgar pelas evidências, é espaço dentro do prontuário — onde vivem tanto a consulta quanto o paciente.
A quinta rodada fechou abaixo do próprio preço pedido
A quinta rodada, confirmada pela Forbes em 30 de setembro, foi de US$ 250 milhões a uma avaliação de US$ 15 bilhões 6, liderada pela Byers Capital e pela Andreessen Horowitz no início de setembro, com redes hospitalares entrando na tabela de capitalização 53. Em julho, o The Information noticiou que a OpenEvidence havia sondado US$ 200 milhões a uma avaliação de US$ 20 bilhões e desistiu; o valor que fechou ficou 25% abaixo 7.
Entre os investidores estão a Google, que Nadler chama de maior investidor da empresa 8, além de Nvidia, Thrive, DST, GV, Kleiner Perkins e Sequoia 5. Uma pessoa próxima à companhia diz que ela poderia estar aberta a se vender, acesso a poder computacional incluído; o interesse de adquirentes não pôde ser verificado 5.
A quinta rodada fechou em US$ 15 bilhões, um quarto abaixo dos US$ 20 bilhões que a OpenEvidence sondou em julho
- Estimate
Data
| Value | |
|---|---|
| Série B, jul 2025 | $3.5B |
| Série C, out 2025 | $6B |
| Série D, jan 2026 | $12B |
| Preço sondado, jul 2026 (estimate) | $20B |
| Rodada fechada, set 2026 | $15B |
Os médicos nunca pagaram pela OpenEvidence. A pergunta que esta rodada responde é quem paga.
O pivô faz da indústria farmacêutica a cliente
Nadler contou à Forbes que o primeiro candidato oncológico da OpenEvidence entra em ensaios clínicos antes do fim do ano, com outros três a cinco em 2027, começando pelos cânceres raros, "aquilo que eles não estão fazendo, e talvez não consigam fazer" 7. O alcance por trás dessa aposta é o ativo: 1,12 milhão de clínicos verificados nos EUA em setembro 3, 42 milhões de consultas em agosto 9 e 1,5 milhão de buscas verificadas por dia, na contagem de Nadler 8. A Anthropic estende o mesmo modelo gratuito ao exterior, com créditos, engenheiros e financiamento por trás de uma expansão para 100 países 9.
Um em cada três ensaios clínicos é interrompido principalmente por falta de pacientes, e menos de um em cada dez pacientes oncológicos elegíveis chega a encontrar um 8. Uma caixa de busca que alcança a maioria dos médicos americanos sabe onde estão os pacientes raros antes do próprio ensaio.
O canal já tem dono
A Doximity (NYSE: DOCS), incumbente de capital aberto que vende à indústria farmacêutica o acesso aos médicos, registrou US$ 156,6 milhões no trimestre encerrado em junho, alta de 7%, e elevou o guidance anual para até US$ 681 milhões 10. A base de usuários ativos do Scribe multiplicou-se por dez em julho, e as ações chegaram a subir 105% no pré-mercado após o balanço 10.
A própria projeção da gestão aponta crescimento da publicidade farmacêutica de no máximo 5% 10. Enquanto isso, a OpenEvidence ampliou a disponibilidade de um discador com IA para contatar médicos, que a Fierce Healthcare chama de investida direta contra o negócio principal da Doximity 3 — uma disputa que já está na Justiça, como noticiamos em 29 de setembro. Já a Abridge, segundo relatos, preferiu o caminho da parceria: apoiada pela Lilly, com avaliação de US$ 5,3 bilhões 7.
O produto é o recrutamento de pacientes
O teste com data marcada é a administração da primeira dose do primeiro candidato oncológico antes do fim do ano. Se o alcance preencher os ensaios de cânceres raros, a indústria farmacêutica deixa de comprar anúncios e passa a comprar recrutamento de pacientes. Se não preencher, os US$ 15 bilhões não passam de um múltiplo de publicidade sobre um produto gratuito — e os US$ 20 bilhões pedidos em julho eram o teto.
Deepdive
AI-generated from this story and its cited sources. Not investment advice.


